O que é o VSR?

O vírus sincicial respiratório (VSR) é a PRINCIPAL CAUSA DE BRONQUIOLITE entre crianças menores de 2 anos.

Existem duas formas de prevenção do VSR: durante a gestação (com a vacina para gestantes) e após o nascimento do bebê (com o anticorpo monoclonal).

A boa notícia é que ambas estão disponíveis no SUS!

VSR e bronquiolite

A bronquiolite é uma inflamação das pequenas vias aéreas do pulmão — os raminhos finais por onde o ar passa nos pulmões — causada principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Ela provoca tosse, chiado no peito e respiração rápida, com esforço para respirar visivelmente perceptível.

Não é raro — especialmente em bebês pequenos — que a bronquiolite evolua para formas graves, levando à necessidade de internação, uso de oxigênio e, nas situações mais severas, cuidados intensivos em UTI.

E essa situação é mais comum do que muitos imaginam.

  • Mais da metade das hospitalizações ocorre nos primeiros 2 meses de vida.
  • Quase 66% acontecem até os 3 meses.
  • Mais de 80% das hospitalizações ocorrem em menores de 2 anos.
  • Casos em menores de 12 meses: 72% previamente saudáveis 28% com fatores de risco.
  • Em bebês de 12 a 24 meses: 48% saudáveis 52% com fatores de risco.
  • Em crianças de 24 a 59 meses: 30% saudáveis 70% com fatores de risco.
VSR não é um risco restrito a grupos específicos.

Como proteger do VSR

Hoje, existem duas formas seguras e eficazes de proteger contra o VSR, especialmente das formas graves da doença causada pelo vírus: a vacinação da gestante e o anticorpo monoclonal para os bebês. Em alguns casos, as duas podem ser complementares.

Durante a gestação

Vacinação da gestante com a vacina VSR

A vacinação da gestante contra o VSR permite que o bebê já nasça com anticorpos que vão ajudar a protegê-lo durante seus primeiros meses de vida, seja ele de alto risco ou não.

Por que isso é importante?

Saiba mais

Após o nascimento

Proteção de menores de 2 anos com o anticorpo monoclonal

A imunização com o anticorpo monoclonal oferece proteção imediata, que dura pelo menos seis meses, e pode estar indicada para menores de 2 anos de idade (23 meses e 29 dias).

Por que isso é importante?

Saiba mais

As duas estratégias são seguras e eficazes.

Podem ser complementares, a depender dos riscos, e geram proteção no momento certo.

Todas as vacinas recomendadas para gestantes.

Durante a gestação

A vacinação da gestante protege quem gera e quem está por nascer:

  • Reduzindo riscos ao longo da gestação.
  • Evitando situações de doença durante a gravidez.
  • Contribuindo para prevenir parto prematuro, malformações e abortos naturais.
  • Ajudando a evitar infecções de alto risco para a gestante, que podem levar à internação e até ao óbito.

Essa proteção alcança o bebê ainda no útero:

  • Na maioria dos casos, os anticorpos produzidos pela mãe atravessam a placenta.
  • Em alguns casos, continuam sendo transferidos por meio do leite materno.
  • O bebê fica protegido nos seus primeiros meses de vida, quando é mais vulnerável.

Difteria, tétano e coqueluche (dTpa e dT)

A coqueluche é altamente transmissível e pode ser grave em bebês pequenos:

  • Foi responsável por um aumento de 217% nas hospitalizações em 2024.
  • Cerca de 100% das mortes por essa doença ocorrem em menores de 1 ano.

Proteção dobrada: a vacinação protege a gestante e o bebê.

A vacina:

  • Contribui para uma gestação mais segura e para um início de vida mais saudável para o bebê.
  • Contribui para a proteção do bebê nos primeiros meses de vida reduzindo:
    • o risco de doença grave;
    • o risco de hospitalização;
    • o risco de óbito;
  • Também reduz a transmissão da bactéria no ambiente domiciliar;
  • Não contém a bactéria viva, portanto não tem capacidade de causar a doença.

Indicação:

  • Para gestantes a partir da 20ª semana de gestação.

Esquema:

  • dTpa: 1 dose a cada gestação.
  • dT: conforme histórico vacinal (podem ser necessárias 1 ou 2 doses de dT + 1 dose de dTpa).

Administração: intramuscular, no deltoide (braço).

Se não vacinada durante a gestação:

  • Vacinar a mãe no pós-parto para protegê-la e evitar a transmissão da doença para seu bebê.
  • No entanto, com a vacinação apenas após o parto, o bebê não estará protegido nos primeiros meses de vida, período em que o risco de formas graves é maior.

Onde vacinar:

Disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos serviços privados de vacinação.

Covid-19

Embora a maioria dos casos seja leve ou moderado, cerca de 15% podem ser graves e 5% críticos, com complicações que colocam em risco tanto a gestante quanto o bebê.

Proteção dobrada: a vacinação protege a gestante e o bebê.

A vacina:

  • Contribui para uma gestação mais segura e para um início de vida mais saudável do bebê.
  • Reduz o risco de hospitalização.
  • Reduz a transmissão no ambiente domiciliar.
  • Contribui para a proteção do bebê nos primeiros meses de vida;
  • Não contém vírus vivo, portanto não tem capacidade de causar a doença.

Indicação:

  • Recomendada para gestantes e puérperas, conforme calendário vigente do Ministério da Saúde.

Esquema:

  • Uma dose a cada gestação.

Administração: intramuscular, no deltoide (braço).

Se não vacinada durante a gestação:

Sem a proteção da vacina, a gestante que tiver covid-19 corre um risco maior de desenvolver formas graves da doença, com complicações como falência respiratória, trombose e sequelas neurológicas.

A gestação também fica mais vulnerável, com risco aumentado de aborto e parto prematuro. E o bebê fica exposto ao risco de contrair covid-19 nos primeiros meses de vida, sem a proteção que a vacina poderia ter oferecido justamente quando ele está mais vulnerável.

Onde vacinar:

Disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Hepatite B

A hepatite B pode evoluir para doença crônica e trazer consequências graves ao longo da vida.

  • Quando a infecção ocorre no primeiro ano de vida: cerca de 90% das crianças desenvolvem câncer e/ou cirrose do fígado.
  • Em adultos infectados: cerca de 15% evoluem para cirrose ou câncer de fígado.

Proteção dobrada: a vacinação protege a gestante e o bebê, contribuindo para uma gestação mais segura e para um início de vida mais saudável.

A vacina:

  • Apresenta eficácia entre 70% e 95%.
  • Ajuda a reduzir o risco de transmissão da doença da mãe para o bebê durante o parto; inclusive em situações de hepatite B materna não identificadas no pré-natal.
  • não contém vírus vivo, portanto não tem capacidade de causar a doença.

Indicação:

Se não foi vacinada antes de engravidar (ou se não completou todo o esquema de doses), a gestante precisa receber a vacina hepatite B, em qualquer fase da gestação.

Esquema:

  • Três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda, e de seis meses entre a primeira e a terceira.
  • No caso de esquemas incompletos, não recomeçar.
  • Fazer as doses que faltam para terminar o esquema de doses.
  • Uma vez vacinada com 3 doses, não precisa repetir a cada gestação

Administração: intramuscular, no deltoide (braço).

Se não vacinada anteriormente, precisa receber as doses durante a gestação:

  • Aumenta o risco de transmissão da doença para o bebê no momento do parto.
  • O bebê pode desenvolver infecção crônica, com risco de complicações ao longo da vida.

Onde vacinar:

Disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos serviços privados de vacinação.

Influenza (Gripe)

A gripe causada pelo vírus influenza pode ser mais grave durante a gestação e também afetar o bebê.

Proteção dobrada: a vacinação protege a gestante e o bebê, contribuindo para uma gestação mais segura e para um início de vida mais saudável.

A vacina:

  • Protege contra os principais tipos de vírus influenza causadores da gripe.
  • Protege a gestante e o bebê nos primeiros meses de vida.
  • Não contém vírus vivo, portanto não tem capacidade de causar a doença.

Indicação:

  • Uma dose a cada gestação.

Administração: intramuscular, no deltoide (braço).

Se não vacinada durante a gestação:

  • Aumenta o risco de formas graves da doença na gestante.
  • O bebê não contará com a proteção nos primeiros meses de vida.

Onde vacinar:

Disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos serviços privados de vacinação.

VSR

Vacinação da gestante com a vacina VSR

A vacinação da gestante contra o VSR permite que o bebê já nasça com anticorpos que vão ajudar a protegê-lo durante seus primeiros meses de vida, seja ele de alto risco ou não.

Por que isso é importante?

Para proteger o bebê justamente no período mais crítico para o desenvolvimento de formas graves da infecção por VSR: os primeiros meses de vida.

Indicação (PNI, SBIm, SBP e Febrasgo)

  • A partir da 28ª semana de gestação
  • Sem limite superior de idade gestacional*
  • Idealmente até 14 dias antes do parto
  • Em qualquer época do ano
  • Uma dose a cada gestação*
  • Independentemente da idade da gestante*

* Indicações fora de bula (off label), recomendadas, de forma segura, conforme orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), da SBIm, da SBP e da Febrasgo.

Segurança da vacina

A vacina VSR para gestantes não contém vírus vivo, portanto não tem capacidade de causar a doença.

A grande maioria das reações observadas, em pesquisas e nos acompanhamentos de milhares de gestantes vacinadas ao redor do mundo, foi leve, passageira e esperada para esse tipo de vacina.

No local da aplicação, as reações mais comuns da vacina VSR são dor, vermelhidão e inchaço, que desaparecem por conta própria em até três dias.

Nos dias seguintes à aplicação, algumas gestantes relataram cansaço, dor de cabeça, dor muscular ou nas articulações e nas extremidades. Esses sintomas costumam aparecer nas primeiras 48 horas e desaparecem em até três dias. Vale lembrar: qualquer desconforto passageiro é muito menor do que o risco de o bebê enfrentar uma bronquiolite grave.

Segura para a gestante e o bebê

As pesquisas mostram que a vacina VSR não aumenta o risco de complicações na gestação ou para o bebê. A possibilidade de parto prematuro foi cuidadosamente avaliada e não se confirmou, mesmo nos acompanhamentos após o início da aplicação em gestantes de vários países.

E a proteção que a vacina oferece é real

A vacinação durante a gravidez oferece proteção significativa aos bebês nos primeiros meses de vida — justamente quando eles são mais vulneráveis:

  • 81,8% de eficácia na prevenção de doença grave por VSR em bebês de até 3 meses de idade.
  • 69,4% em bebês de até 6 meses de vida.

Esses resultados foram confirmados por estudos de efetividade conduzidos após o licenciamento e a disponibilização da vacina VSR em programas públicos de vacinação em larga escala na Argentina, no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Administração: intramuscular (IM)

A vacina VSR pode ser administrada com as outras vacinas indicadas no calendário de vacinação da gestante, no mesmo dia ou com qualquer intervalo entre elas.

Onde vacinar:

Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos serviços privados de vacinação.

Vacinas em situações especiais

Vacinas que podem ser recomendadas por seu médico

Quando a gestante apresenta determinadas doenças crônicas, como doença cardíaca ou pulmonar, diabetes, é imunodeprimida por doença e/ou tratamento, entre outras condições, ou quando ela está em situações de alto risco para a infecção, como durante surtos, algumas vacinas adicionais podem ser prescritas pelo médico, a depender de cada caso.

Quais são

Em situações clínicas ou epidemiológicas específicas, o seu médico pode considerar a recomendação das vacinas:

  • Hepatite A
  • Hepatite A e B
  • Pneumocócicas
  • Meningocócica conjugada ACWY
  • Meningocócica B
  • Febre Amarela

Disponíveis nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) e/ou nos serviços privados de vacinação.

Cada escolha importa!

Vacinar durante a gestação e proteger o bebê após o nascimento não é apenas uma recomendação.

É uma decisão que impacta diretamente a saúde de quem ainda não pode decidir: seu filho, sua filha.

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